terça-feira, 31 de março de 2009

ia queixar-me não sei de quê, mas já me lixaram o esquema

tinha um ou dois posts de irritâncias na manga, mas eis que comecei o dia a ouvir o Cânone em Ré do Pachelbel, magnificamente interpretado pela Tuna da Universidade Portucalense (uuui, olha os ecléticos a arrepiarem-se todos!! paciência, meus amigos, eu gosto de Tunas), e o sobrolho franzido dos últimos dias desanuviou-se numa questão de minutos.

lembrei-me dos meus primeiros tempos de Faculdade: da excitação de fazer amigos novos, das manhãs passadas a rir (tanto, tanto, que ficava com dores nos músculos da cara e da barriga), das paixões não correspondidas. dessa altura em que escrevia poemas em vez de e-mails e em que trabalhava na guitarra e na pandeireta em vez de trabalhar no Excel. uma parte de mim que anda tão escondida, e há tanto tempo, que receio que se perca para sempre.

há dias assisti ao casamento do meu amigo A., e a banda interpretou esta peça fantástica na altura das assinaturas. e foi aí que decidi - embora a minha fé na coisa seja cada vez mais residual - que se algum dia me casar ou ajuntar ou aninhar, e se tiver que entrar na igreja ou jardim ou tasco ou seja lá onde for que vou assinar a papelada, hei-de entrar ao som do Cânone em Ré*. porque é isso e apenas isso que espero sentir nesse dia: uma imensa alegria de estar viva.

*de preferência interpretado ao vivo pela Tuna da minha Faculdade. ah pois é.

quinta-feira, 26 de março de 2009

estado: quase a enlouquecer


mais uma conversa com o meu pai sobre a mudança para Matosinhos e vou acabar por mudar-me mesmo é para o MANICÓMIO.

quarta-feira, 11 de março de 2009

frase do dia

"A lot of people never use their initiative because nobody told them to do so."

quarta-feira, 4 de março de 2009

cold contagious

hmm.

pouco após ter publicado o post sobre o ESTA, vi-me assolada por uma constipação em todas as suas modalidades - tosse, espirros e garganta inflamada - a qual teima em piorar à medida que se aproxima a viagem.

....

será que o W. tinha razão... e Deus é mesmo americano?? *

* nesse caso, estou bem lixada. ui.

domingo, 1 de março de 2009

you gotta be kidding me

desde 12 de Janeiro deste ano, quem pretende viajar para os EUA por um prazo inferior a 90 dias (e no caso de não ter um visto e de ser oriundo de um dos países da "lista branca" - Portugal, por ex), necessita agora de obter uma autorização electrónica.

esta autorização tem que ser obtida antes da viagem, e pode ser revogada se o funcionário da Alfândega, à chegada, não considerar a pessoa "elegível" para entrar no país.

há vários pontos nesta legislação que me revoltam profundamente. em primeiro lugar, os postos Alfândegários dos EUA são os sítios mais racistas onde tive o desprazer de pôr o pé, até à data. se um tipo tem pele e cabelo escuro, ou um ar considerado "suspeito", é logo agarrado, impedido de entrar e convidado para uma - digamos - entrevista. por funcionários de uma arrogância notável.
em segundo lugar, este género de medidas de segurança (juntamente com a questão de não se poder levar frascos de líquidos acima de xx capacidade) parece-me um pouco o atirar areia aos olhos das pessoas. são medidas que fazem aumentar a burocracia, as filas e os tempos de espera - mas será que contribuem realmente para uma maior segurança global?

finalmente, a dita autorização electrónica (obtida através do ESTA - Electronic System for Travel Authorization) consiste em:

a) indicar o nome, data de nascimento e nr do passaporte, para que as autoridades norte-americanas possam vasculhar informações a nosso respeito;

b) responder à lista de perguntas mais idiota da História das Listas de Perguntas Idiotas, a saber:

  • Tem alguma doença contagiosa; alguma deficiência física ou perturbação mental, ou é um dependente de drogas? (de facto, só alguém com uma perturbação mental séria é que responderia Sim a esta pergunta)
  • Já foi preso ou condenado por um delito ou crime envolvendo depravação moral ou violação (...) ou está procurando empenhar-se em actividades criminosas ou imorais? (sim, queria ir aí para assaltar um Banco e pegar fogo à Casa Branca - if you don't mind)

  • Já esteve ou está agora envolvido em espionagem ou sabotagem; ou em actividades terroristas: ou genocídio; ou esteve envolvido entre 1933 e 1945, de alguma maneira, em perseguições associadas à Alemanha Nazi ou aos seus aliados? (estive envolvido em perseguições a judeus entre 1931 e 1932 - será que conta??)

  • Está à procura de trabalho nos E.U.A.; já foi excluído e deportado (...) obteve ou tentou obter um visto ou entrada nos E.U.A. através de meios fraudulentos ou falsas declarações? (sim, obtive a grande custo um visto através de meios ilegais; tive inclusivé que hipotecar a minha casa e doar 2/3 do fígado- e agora decidi contar-vos)

preenchi há pouco a minha ESTA e obtive, em 15 segundos, a notícia de que sou elegível para viajar para os EUA.

iupi.

(quem é que eles estão a tentar enganar??)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

5 destinos para visitar antes que deixem de existir...

quando?
quando iremos deixar de destruir o planeta-casa que humildemente nos acolhe?
quando iremos abrir os olhos e deixar de pensar apenas no hoje e no amanhã, para percebermos que a ganância de tudo obter a curto prazo irá deixar marcas irreversíveis e pavorosas daqui a escassas décadas?

cinco destinos que, dizem os cientistas, irão simplesmente DESAPARECER do planeta... já em 2030...


http://viajarmaisbarato.com/5-destinos-para-visitar-antes-que-deixem-de-existir/

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

could it BE any more cliché?...

EGIPTO
"Um destino simplesmente piramidal"

DUBAI
"Um verdadeiro destino das Arábias!"

AÇORES
"Magníficos dias atlânticos..."


(mas vale a pena visitar o site: http://www.soltropico.pt/)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

the good and the shelfish

numa época em que muito se ouve falar de “amizade colorida”, gostaria de apresentar-vos um conceito um pouco diferente (e não menos comum): o de “amizade de prateleira”.

qual a diferença entre os dois? muito simples: a amizade colorida, como é sabido, é a possibilidade de ter sexo e amizade (ou apenas sexo) com uma pessoa, sem abdicar da hipótese de saltar fora assim que apareça alguém mais apetecível. em resumo, é uma forma de passar o tempo até surgir algo melhor.

já a "amizade de prateleira” é um pouco mais subtil… não envolve necessariamente sexo (o mais comum é passar-se muito pouco ou mesmo nada em termos físicos) e consiste em manter a outra pessoa a uma distância segura, de forma a não termos um compromisso com ela, mas dando-lhe volta e meia um rebuçadito que a mantenha mais ou menos “à disposição”.

nunca ouviram falar? mentira… já ouviram, já. para nós, meninas, os “amigos de prateleira” são aqueles gajos que:
  • convidam para cinema, café, conversa íntima, etc etc, desaparecem do mapa sem mais nem menos e depois voltam a convidar para cinema, café, conversa íntima, como se nada fosse;

  • nunca têm tempo, nunca estão disponíveis, mas 1 vez por mês mandam um sms a dizer “beijinhos grandes, tenho imensas saudades tuas!”;

  • gostam de flirtar pelo chat e de fazer insinuações que nos levam a pensar “hmm… talvez algo mais…”, mas não concretizam nada...

............... ring a bell?

o objectivo é, com o mínimo esforço, manter a outra pessoa como uma hipótese - caso tudo o resto corra mesmo, mesmo mal. uma espécie de seguro contra todos os riscos.

claro que, ao longo da vida, todos nós vamos tendo atitudes de maior/menor flirt e de melhor/pior consequência… mas pelo menos que todos falemos a mesma linguagem, para que se evitem mal-entendidos!

assim sendo, deixo aqui o meu humilde contributo para um potencial futuro dicionário de shelfish-português:


que se faça luz sobre os frágeis diálogos do quotidiano.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

uma caza portugueza, com certeza

há dias fui ver um apartamento tão antigo, tão antigo, tão antigo que ainda era do tempo em que se escrevia "trazeiras".

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

pior do que ter uma reunião às 7:30 da matina por causa dos colegas da Austrália...

... só mesmo ter uma reunião às 7:30 da matina e os colegas da Austrália não aparecerem.

fiquei com cara de avestruz. chuif.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

volta, hextril, estás perdoado!

diz a embalagem: "bochechar o produto, não diluído, durante 30 segundos." faltou acrescentar: "uma aplicação é suficiente para carbonizar os seus dentes, gengivas e língua."

domingo, 18 de janeiro de 2009

fashion quizz

nunca entendi como funcionam os meandros do mundo da moda.

os estilistas "top" apresentam as suas colecções (normalmente com meio ano de antecedência pfff) nas semanas de moda, e depois vêm os media dizer "na próxima Primavera vão usar-se os tons amarelos e azuis, os vestidos curtos plissados e as calças de ganga "skinny").

e assim é: como que por magia, as escolhas dos estilistas parecem convergir numa tendência sobrenatural de formas e cores.

pois pergunto eu: como é que eles acertam todos no mesmo?!? reúnem-se todos antes e chegam a um consenso? é um que decide e os outros seguem-no?


sim, porque eu quero perceber quem é que decidiu que neste Inverno eu só teria roupa roxa e cinzenta. de roxo gosto, sim senhor, embora em excesso se possa tornar enjoativo. agora, de cinzento... ui ui. é a corzinha mais sem graça que existe à face da Terra, insuportável quer seja em roupa, sofás, automóveis, fábricas de peças para automóveis, whatever.

e dizem vocês, "ah, mas tu não és obrigada a seguir a moda!..."

o caraças que não sou. há meio ano que não se encontra NADA nas lojas que não seja roxo ou cinzento. NADA.

fechou-se o ciclo sobre nós...

sábado, 17 de janeiro de 2009

ei-la!

pressentida numa pausa do livro que ando a ler, enquanto o sol se ensaiava em cortinados através da janela do mini-avião que voava Madrid-Porto.

subitamente as letras formaram-se no meu olho interior:

TER FÉ

fé em mim, na minha coragem, no meu talento, na minha força.
fé de que tudo acontece por um motivo, e de que as pessoas entram e saem da nossa vida quanto tem que ser e porque tem que ser, e de que todos esses caminhos trilhados e cruzados constroem um percurso com sentido.
fé de que não perdemos nada, porque tudo o que interessa permanece em nós.

fé nos outros que, nas palavras de um amigo, "são o nosso Paraíso e o nosso Inferno".
fé no ciclo que une passado e futuro, homem e natureza,
que tudo conjuga e que tudo relativiza.
é a resolução para 2009 mais curta de sempre (duas palavras apenas!), mas talvez a mais ambiciosa. sem dúvida a mais importante.

achievement

consegui enfiar tudo o que precisava para os dois dias em Villach, aqui:


terça-feira, 13 de janeiro de 2009

raios raios raios

tá mau.

"porquê?", perguntam vocês.

e eu, "eia, afinal há gente desse lado!!"

adiante.

tá mau porque, no espaço de meras três horas, desisti de alugar uma casinha giríssima localizada em sítio maravilhoso, desisti de ir à minha aula de teatro, irritei-me com os meus pais, e estou agora a postecipar alegremente o momento em que terei de fazer a mala para ir três dias à Áustria levar com frio e neve enquanto aturo os clientes mais arrogantes e insuportáveis que consigam desenhar nas vossas imaginativas mentes.

ok, não é tão grave como descobrir que se tem uma doença degenerativa ou como ser-se despedida do emprego (no meu caso, ser despedida nem sequer seria uma má notícia, to start with). mas quando começamos a construir castelos no ar e a antecipar paraísos de coisas bonitas e coloridas, é uma chatice ver tudo desmoronar assim num momento tão condensado.

claro que (lá está) os castelos constroem-se lá em cima, nas nuvenzinhas - e o problema do apartamento era ser no R/C. e não ter grades. só que era SÓ ESSE o problema; de resto, bem parecia o apartamento dos meus sonhos (para um preço de sonho de 450 eur/mês). e eu até ia alugá-lo. mas caí na asneira de falar com as pessoas à volta e - pronto! - depois de meia dúzia de histórias de assaltos e perigos vários, já não me sentia muito confortável em ir lá morar sozinha.

depois, os meus pais. os meus pais insistiram para eu ir ver o dito T1, embora eu tivesse logo clarificado que R/Cs estão fora da minha (longa) lista de requisitos. insistiram, lá fui. quando viram que adorei o apartamento, começaram "ah e tal, como é R/C não é muito aconselhável..." meus amigos, isso já sabíamos de início, ceeeeerto? ou estávamos à espera que fosse um R/C montado em estacas de ferro?

os clientes da Áustria. "que giro, ir à Áustria!" eu sei que é. especialmente quando se tira um dia ou dois para visitar as cidades vizinhas. ou quando se vai ter com gente simpática. não é um caso nem outro. vamos para um workshop do inferno, espera-nos uma viagem de avião de 5 hrs seguida de outra de carro de 3hrs (com 5 pessoas enfiadas no carro), e o regresso é sábado à tarde (não só não se visita nada como ainda se perde o melhor dia do fim-de-semana). ah, e no workshop em si vamos trabalhar formas de melhorar a comunicação e a cooperação (há uma forma muito fácil, que é eles não abrirem a boca nunca mais, mas duvido que cole).

e a mala... a mala é o pior de tudo! suportava perder a casa, o teatro, as pestanas - qualquer coisa - se ao menos não tivesse que fazer o raio da mala! odeio fazer malas. e desta vez vai ter que ser uma super-pequena, para caber no carro onde vamos as tais cinco pessoas; sendo que "super", "pequena" e "mala" são palavras que normalmente não conjugo, especialmente se complementadas com "para país onde estão -5ºC e 85% de humidade".

vou ter que levar roupa IKEA.

raios raios raios.

domingo, 11 de janeiro de 2009

in wonderland


Alice pegou no pequeno bolo, no qual se podia ler: "Sê tu mesma".
"Que engraçado", pensou ela. "Que outra coisa poderia eu ser?"

L. Carrol

sábado, 3 de janeiro de 2009

as indispensáveis resoluções de Ano Novo

as minhas resoluções para 2008 (RESCALDO):
  • dormir mais -> aaaaacho que está melhor, mas ainda aquém do que eu queria
  • ser pontual -> não, e já desisti. fui pontual na minha festa de aniversário e os convidados ficaram desiludidos porque estavam a fazer apostas sobre o tempo do meu atraso (!). must give people what they want
  • ter a minha casa -> ongoing. decidi-me agora em Dezembro a alugar um apartamento, e ando à procura. se tudo correr bem, lá para Fevereiro estarei de perna ao alto num simpático T1 algures em Matosinhos/Leça/Sra. Hora.

a minha resolução ÚNICA para 2009:
  • (ainda em estudo). começou por ser "gostar mais de mim", depois pensei em mudar para "keep it simple"... talvez possa simplesmente pôr "ser mais decidida"...

tragi-comédia sobre a corrida às prendas de Natal (obrigada, A.)

Penny: [after the tale of Saturnalia] Okay, well, thank you for that, but I got you and Leonard a few silly neighbor gifts, so I'll just put them under my tree.
Sheldon Cooper: Wait! You bought me a present?
Penny: Uh-huh.
Sheldon Cooper: Why would you do such a thing?
Penny: I don't know. 'Cause its Christmas?
Sheldon Cooper: Oh, Penny. I know you think you are being generous, but the foundation of gift giving is reciprocity. You haven't given me a gift. You've given me an obligation.
Howard Wolowitz: Don't feel bad, Penny, it's a classic rookie mistake. My first Hanukah with Sheldon, he yelled at me for eight nights.
Penny: Now, hey, it's okay. You don't have to get me anything in return.
Sheldon Cooper: Of course I do. The essence of the custom is that I now have to go out and purchase for you a gift of commensurate value and representing the same perceived level of friendship as that represented by the gift you've given me. It's no wonder suicide rates skyrocket this time of year.
Penny: Okay, you know what? Forget it. I'm not giving you a present.

(from "The Big Bang Theory")

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

só para reforçar a ideia


(bem, que barrigada de riso com estas fotos!! :-))

cansaço...

depois de uma semana de "arromba" (Lei de Murphy básica: ou não há nada que fazer, ou surge TUDO ao mesmo tempo), sinto-me um pouco assim...


(esta noite sonhei com gatos, por isso achei a foto apropriada)