li há pouco um
post que me inspirou, num blog que desconhecia e ao qual fui parar por acaso (como quase sempre se vai parar às coisas que valem a pena).
pergunto-me quantas pessoas andarão por aí, meias perdidas, vagueando e sonhando, experimentando locais e grupos vários na busca do tal "encaixe" - e sempre sentindo-se sós, diferentes. é um paradoxo fascinante: cada pessoa inadaptada sente-se sozinha no seu mundo, mas parecem-me ser tantos os casos de inadaptação que poderiamos facilmente unir-nos e formar uma sub-sociedade nova.
ou talvez não haja um denominador comum sólido entre essas pessoas, apenas uma identificação entre si pela não-identificação com os outros.
também eu cresci assim, com a sensação de ter nascido, sem opção, num mundo estranho e hostil, tendo que escolher entre adaptar-me às regras do jogo ou criar as minhas próprias regras e saltar fora.
também eu aspiro a essa
serenidade que (dizem) vem com o tempo.
aprende-se muito, quando se está do lado de fora. aprende-se a aceitar a diferença, porque se é diferente. a observar com clareza, porque o recanto obscuro somos nós. a lutar, porque nada nos é garantido.
e aprende-se a rir de si mesmo, o que é meio caminho andado para a felicidade.