sexta-feira, 30 de outubro de 2009

história em seis palavras

roubado daqui: http://www.escreva.com/desafio.php?d=301

Hemingway escreveu uma história em 6 palavras e chamou-lhe o seu melhor trabalho: «Vende-se: sapatos de bebé, nunca usados.»

estendo a este blog e aos seus leitores o desafio de escrever uma história em 6 palavras.

o meu contributo:

.should be elsewhere doing something else

.should try writing long stories instead

.i have a dream - and you?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009


escreveu, num pedaço de papel amarrotado, as palavras que lhe martirizavam a alma:

“sinto a tua falta.”

de seguida guardou-o numa caixinha dourada que outrora albergara vários pacotes de chá. escolheu a caixa do earl grey, porque lhe recordava os pequenos-almoços tomados a dois, entre bocejos e mimos.

escondeu a caixa na prateleira mais alta da cozinha, por detrás de um saco de arroz agulha. agulhas cravadas no peito, era o que sentia, pensou.

quedou-se por momentos, fixando o lugar oculto onde aquelas palavras repousariam, de agora em diante. tentou visualizar essas mesmas palavras, encolhidas na velha folha amarela, abrindo-se e libertando-se do papel, do seu peito. libertando a sua dor.

não fez mais nada nesse dia a que atribuísse tanto significado como àquele pequeno gesto.

aprendera que seria assim, por vezes, quando não conseguia abandonar um sentimento inútil. a única solução que encontrara fora a de aceitá-lo como seu, como parte integrante de si, e de guardá-lo gentilmente num recanto escondido da casa.

para que também ele, o sentimento persistente, se recolhesse a um recanto oculto do seu coração.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

será?... não será?...

e pronto. lá chegou a proposta anual de ir trabalhar para fora.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

no tengo armas

não sou grande fã desta miúda, mas volta e meia faz umas músicas curtidas:

http://www.dailymotion.com/video/xa1xm9_nelly-furtado-manos-al-air-official_music

assim daquelas que batem fundo...

(nota: o "tu" é em sentido lato, muito lato)

sábado, 24 de outubro de 2009

condomínio da Terra

  • pela Biosfera:
"o condomínio da terra ambiciona compatibilizar a organização interna das sociedades humanas com o funcionamento global e interdependente da Biosfera."
  • por uma responsabilidade partilhada:
"a vizinhança global coloca-nos na condição irrenunciável de todos sermos condóminos da Terra, partilhando de forma involuntária os danos e os benefícios que cada um de nós provoca nos bens indivisíveis do planeta."
  • por uma Economia de Simbiose:
"enquanto a nossa economia só atribuir valor à natureza depois de a destruir ou transformar e não valorar os serviços vitais que ela presta, está condenada à insustentabilidade."
  • por uma Contabilidade Ambiental:
"é necessário encontrar uma nova fórmula de medir o crescimento (...) é insustentável continuar a confundir degradação da Biosfera com desenvolvimento, e a considerar que a sua manutenção é sinónimo de atraso e empobrecimento."

por um Futuro. sign here please.

o planeta agradece.

anagramas


observar equivale a absorver.

vinte e quatro do nove de mil novecentos e setenta e sete equivale a sete - nove - nove - sete - sete (os meus algarismos favoritos).

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

vicissitudes de quem se aventura para os lados da maia_1

na tentativa de irmos assistir ao festival internacional de teatro cómico, eu e a minha amiga H. perdemo-nos 5 vezes (cada uma no seu respectivo veículo) até conseguirmos chegar do porto ao fórum da maia. por milagre, chegamos a tempo da peça, mas um dos carros teve que ser estacionado duas vezes e o jantar foi adiado para mais tarde.

no regresso, todas ufanas, claro que pecamos por excesso de confiança... e basicamente íamo-nos perdendo outra vez.

lá seguíamos, em fila indiana de duas, quando a H. pára de repente no meio de uma rotunda, os quatro piscas ligados, os carros atrás já a buzinarem... e eis que ela desce o vidro da janela, imperturbável; deixa cair o braço que segurava o inevitável cigarro e, voltando-se para trás (onde eu a seguia no meu carro), pergunta calmamente: "e agora, por onde é?"

é só amigos com estilo, digam lá.

priceless. :)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

a vida não é aqui

mudei de casa, mas continuo a contar lições. o mundo está a tentar falar comigo, parece-me, e talvez não esteja ainda a conseguir ouvi-lo como deve ser.

há que aguçar o espírito... estar atenta.

neste fim-de-semana que passou percebi que o meu passado está a romper comigo. na forma de ex-namorados que ignoram os meus sms de "feliz aniversário", de ex-coisos que me surgem de repente acompanhados da nova gaja/coisa/namorada/who cares, de amigos que só falam em emigrar e em mudar de vida e que entretanto vão passando tempo de copo na mão, semi-alienados, como se estivessem numa sala de espera com acesso ao futuro.

ora pois bem, minha gente, se esse tempo passado de copo na mão é só um compasso de espera inútil, então dão-me licença que vá para casa ler um livrinho, sim?

é que tenho coisas mais úteis para fazer.

como, por exemplo, trabalhar no meu futuro. nesse caminho que - ok, já percebi! - não se constrói sozinho.

e, entretanto, o destino parece estar a querer facilitar-me a tarefa de cortar laços e de preparar a despedida...

... porque, desconfio, também a minha vida não é aqui...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

em busca da eternidade


Fotos @ Rua Miguel Bombarda

"As paredes de diversas ruas da cidade têm sido preenchidas com o desenho em stencil de origamis em forma de pássaro, o grou ou garça branca conhecida como tsuru, símbolo de longevidade, prosperidade e felicidade eterna.
Reza uma lenda japonesa que uma vez finalizados mil tsurus de origami enquanto se concentra num desejo, tudo aquilo que desejou será atendido. Por isso, estes desenhos estão todos numerados, até 1000 … street art em busca da eternidade."

domingo, 18 de outubro de 2009


seria caótica, se não tivesse tanta graça. ria com todos os seus 29 pequenos dentes e torcia os dedos uns nos outros, desajeitadamente, como que para impedi-los de sucumbirem em soluços.

carregava um livro para todo o lado, bem preso debaixo do braço, embora não tivesse paciência para ler. mas os papéis faziam-na sentir-se especial.

todos os dias suspirava sobre o computador mal amanhado, contando os minutos que faltavam para a pausa do cafe, na qual poderia enfim dar largas à sua alegria tagarela.

o colega sentado às nove horas detestava-a. todos aqueles suspiros e contorcionismos em frente ao monitor desconcentravam-no, diminuiam-lhe a produtividade.

meteu na cabeça que era por culpa dela que nao progredia na carreira; os chefes nao levavam a sério aquele quadrante do escritório.

ao nonagésimo sexto dia do ano, despejou-lhe 3 xanaxs no café, sem dó nem dor. a miúda começou a torcer os dedos, os braços, colapsou. foi levada em braços, fizeram-lhe análises ao sangue, adivinhou-se-lhe uma depressão.

esteve um mês de baixa, por recomendação da empresa.

quando regressou, altamente medicada, nem parecia a mesma. mal falava e mal sorria, emagrecia a olhos vistos. e abandonara os seus livros de estimação.

o escritório estava diferente: o colega da esquerda tinha sido promovido a chefe de divisão, e passava agora as mesmas 14 horas por dia alienado em frente ao mesmo computador, mas desta feita num gabinete próprio. não fora substituído.

as colegas olhavam-na de soslaio, com desconfiança, e interrompiam as conversas ao pressenti-la.

ao fim de duas semanas deixou de aparecer ao trabalho. deixara um post-it no monitor a dizer: "preciso de encontrar um sentido para a minha vida".

e, desde essa ocasião, nunca mais foi vista.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

domingo, 11 de outubro de 2009

sábado, 10 de outubro de 2009

proud to be a redhead(ish)


some facts which - finally - make me feel less awkward and whiny:

  • scientists have found that redheads, carriers of a particular variant of the melanocortin-1 receptor gene (MC1R), appear more sensitive to pain and temperature than darker haired folk (would explain why I can't stand the sun - I);

  • redheads are more sensitive to ultraviolet light, which is why they burn more easily in the sun, and it predisposes them to skin cancer (would explain why I can't stand the sun - II);

  • redheads have some of the thickest hair, not the most number of strands but the thickest. an average head of hair has about 100,000 strands; redheads average 900,000; blondes 120,000 (would explain why I used to need two persons at the same time to comb and iron my hair LOL);

  • there is a belief that redheads are prone to industrial deafness, which actually could be true as the melanocytes are found in the middle ear (would explain why I can't stand loud music anymore);

  • redheads don't turn grey: red hair turns sandy, then white. they are also found to loose their color later in life than people carrying other hair colors (yey!);

  • bees are thought to sting redheads more than others (would explain why I am terrified of bees more than of any other insect/animal in the world);

  • the highest percentage of natural redheads in the world is in Scotland (13%), followed closely by Ireland with 10% (always wanted to move to the UK eheheh).

... and suddenly all my lifelong traumas are explained... by the rare and stunning red hair color!

oh joy! :-D

terça-feira, 6 de outubro de 2009

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

à 6a tentativa, lá fez click :)

You Are An INFP


The Idealist

You are a creative person with a great imagination. You enjoy living in your own inner world.

Open minded and accepting, you strive for harmony in your important relationships.

It takes a long time for people to get to know you. You are hesitant to let people get close to you.

But once you care for someone, you do everything you can to help them grow and develop.

In love, you tend to have high (and often unrealistic) standards.

You are very sensitive. You tend to have intense feelings.

At work, you need to do something that expresses your personal values.

You would make an excellent writer, psychologist, or artist.

How you see yourself: Unselfish, empathetic, and spiritual

When other people don't get you, they see you as: Unrealistic, naive, and weak

sobre as ditas amizades coloridas

no such thing, in my opinion.

pelo menos não na sua definição idílica, que seria algo do género: misto de amizade e sexo, sem demais compromisso das partes, mantendo cada um a sua liberdade individual, de forma descomplicada, para benefício de ambos.

se dedicar 20 segundos do meu cérebro ao tema, não me ocorre nenhuma tal situação em que uma das partes não tenha saído magoada. se dedicar 45 segundos ao tema, já me ocorrem situações em que a amizade saiu preservada - mas também estas terminaram porque uma das partes estava interessada em algo mais.

na maioria das vezes, este "misto de amizade e sexo", acaba por ser um "lamentavelmente, a amizade já acabou por hoje; podemos servir-lhe apenas o sexo, com uma salada de indiferença à parte?".

e a cena do "sem compromisso"? ui. há lá coisa mais mal definida.

para alguns, "sem compromisso" equivale a dizer "boa queca, até qualquer dia. vemo-nos se nos voltarmos a ver." para outros, vai até ao limite oposto, o de "vamos indo e vendo... para já assim, mas pode ser que dê em algo mais".

e o que se propunha ser uma forma fácil e solta de pinar, acaba por levar um carimbo de COMPLICAÇÃO de todo o tamanho.

então, vamos lá chamar as coisas pelos nomes. começando talvez por deixar cair a palavra "amizade" do termo (tão em voga, hoje em dia), e substituindo the whole thing por um simples "quero ir para a cama contigo e mai' nada".

ah, e podem esquecer também a parte do "descomplicado". sim, que isto de querer ter sexo e intimidade e companhia sem levar com a parte complexa de ter uma relação... pois sim. não queriam mais nada, não?

diria eu que em 99% dos casos não resulta. leva-se sempre o pacote completo, como em muitas outras coisas na vida.

or so I think (and see).

domingo, 4 de outubro de 2009

"light up the sky like a flame"

martha graham
sobre a dança.
essa linguagem que me acompanha desde que, em muito pequenina, posava para as fotos com o meu fatinho de lycra e sabrina elástica.
a dança que sempre me fez sentir bonita, mesmo na idade em que só tinha vontade de partir espelhos.
que me ensinou a felicidade na união de corpo e alma, e no descanso da mente.
que me deu dores de costas, dores de pernas, e uma rótula deslocada - mas a quem eu tudo isso perdoei.
a dança que sempre me salva.
que eu toquei ao de leve, com mão fugidia e transversal, sem nunca me entregar.
a dança que eu sempre amei mas que deixei definhar, entre indecisões e outras prioridades.
sempre presente; nunca em primeiro plano.
a dança que agora recordo como um momento perfeito, aos 17 anos, que gostaria de poder congelar eternamente.
e agora, 15 anos depois... será ainda tempo?...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

miminhos

tenho um cliente que me envia gomas pelo correio. e começa as conversas no messenger com "hello my lady"; e acaba-as com "1000 THANKS".

ainda dizem que os alemães são frios. bah!

são uns doces... quando querem. :)